05 Novembro, 2009

sexo é uma arma de guerra

Há coisa de uns dez anos me lembro que, ao ver determinada (e esquecida) notícia a respeito da onda do politicamente correto em um jornal de grande circulação, pensei lá com meus botões que "o bom do Brasil estava ficando igual ao pior dos EUA", e me lembrei de tal raciocínio na semana passada, ao dar de cara com o caso da garota da Uniban, que todos à essa altura já devem conhecer. Como é que pode, uma turba de um país supostamente libertário condenando uma jovem, que absurdo.

O caso vem sendo uma das histerias coletivas mais engraçadas dos últimos tempos, um festival de hipocrisias tremendamente divertidas. Hilário condenar os estudantes por serem preconceituosos e em seguida lembrar que a Uniban é uma faculdade de pobre, não? Ou, melhor ainda, garotos e garotas educados de todo o país mostrarem toda sua revolta contra o caso na rede enquanto em algum momento de suas existências, já lançaram olhares desconfiados contra aquela garota que "dava pra todo mundo" da vizinhança. Existem inúmeros exemplos dentro de incontáveis variáveis, mas no final das contas o caso apenas revela um daqueles aspectos de nossa cultura que preferiríamos manter devidamente escondido debaixo do tapete.

Linchamentos são crimes complicados de investigar ou julgar porque a massa não tem rosto ou nome, e esse parece ser o caso. Na fúria de condenar os agressores da garota de vestido rosa, os inquisitores são tão perversos quanto a inquisição, despejando os mesmos berros e a mesma cólera sobre o objeto de seu ódio. A loucura momentânea ainda é a mesma, apenas mudou de lado. Todo aquele ódio e irracionalidade de alguma forma está dentro de nós, sempre esteve.

O pior de tudo é que o vestido da mocinha nem era tão curto assim.

02 Novembro, 2009

yas marina

-Toda vez que uma temporada de F1 chega ao final eu noto que o ano está acabando. 2009 já era, o negócio agora é 2010 - tremendamente simbólico em diversos sentidos.

-Vettel ganhou e mereceu, Webber foi o segundo, Button o terceiro e Barrichello o quarto. Corridinha chata, não prestei muita atenção na coisa. O único momento divertido de toda prova foi quando o campeão Button resolveu torturar Webber a uma volta do fim, tentando o ultrapassar - dava pra ver que ele fez aquilo só pra se divertir. Pilotos de F1 são tremendamente bons em se divertir.

-Já o circuito de Yas Marina rende uma boa conversa. É bonito? É. É moderno? Certamente. Vale alguma coisa? Não. Poderia falar horas a respeito dele, mas seria tão entediante quanto assistir a uma corrida por lá.

-Enfim cabou. Até 2010, F1.

19 Outubro, 2009

interlagos

-Tão sabendo que o Jenson Button conquistou o título da F1 aqui no Brasil?

-Bacana, uma coisa dessas. É aquilo que foi dito tantas vezes no ano: cara desacreditado, que estrava à pé em janeiro dá sorte de seu carro ser muitíssimo bem nascido e leva o caneco pra casa. A F1 anda meio cinematográfica de um tempo pra cá - lembra do final da temporada do ano passado?

-Não deu pro Rubinho, uma pena. Mas espero que sua garra neste ano continue intacta até o final de sua (tremendamente longa e cheia de altos e baixos) carreira na F1. De qualquer maneira, ele já é um vencedor por deixar de ser motivo de piada para se tornar motivo de orgulho.

-A corrida, em si, foi chatinha, apesar do começo legal. Na largada o Jarno Trulli bateu no carro do Adrian Sutil e, não feliz, deu um tremendo piti, bateu o pé, coisa e tal. Tomou uma multinha de US$ 17 mil como acalma-boneca. Pra um cara como ele, mixaria.

-Sabe o Kamui Kobayashi? Como não? Então anota o nome, pra ver no que vai dar. É um piloto japonês que estreou no Brasil substituindo Timo (timooooooooooooo) Glock, que não veio pro país com medo de apanhar (mentira).

-Valente, esse Kobayashi. Durante umas vinte voltas brigou loucamente com Jenson Button e depois foi um dos protagonistas de um dos momentos mais bonitos da temporada, numa briga de kamicases em que ele e Nakajima andaram lado-a-lado por quase meio circuito. Nota 10 pelo show.

-Afinal, não é raro que um piloto vá bem na estréia e depois nunca mais consiga repetir seu desempenho inicial. Mas dou o benefício da dúvida ao rapaz e por enquanto ele tem um novo fã.

13 Outubro, 2009

glória inglória

"Há quem ache que vale a pena viver para acompanhar os filhos crescendo. Outros querem continuar vivos para ver as próximas Copas do Mundo. Os dois motivos me parecem justíssimos, e eu me confraternizo com a maioria das pessoas nesse desejo.
Mas eu acrescentaria à minha lista mais uma razão fundamental para permanecer sobre a Terra nos próximos anos: assistir aos filmes de Tarantino. É um privilégio pensar que eu ainda verei um punhado de filmes inéditos do cineasta nesta encarnação – se o mundo não acabar, se a vida permitir, claro."
Do blog do Ricardo Calil, gentilmente me recomendado pelo @camposdalton. O lado bom é que eu já sei o que vou fazer neste final de semana.

11 Outubro, 2009

otimismo

Hace algunos días, este rosario de éxitos alcanzaba su clímax con la victoria de Río de Janeiro en la pugna por la sede de los Juegos Olímpicos de 2016, que supondrá una inversión de 14.400 millones de dólares (casi 10.000 millones de euros) en mejoras para una ciudad que arrastra como una cruz la fama de ser uno de los lugares más violentos e inseguros del planeta. El Mundial de Fútbol 2014 también se celebrará en Brasil. La euforia y el optimismo están presentes a lo largo y ancho del país porque, por primera vez en muchas décadas, los brasileños están viviendo un momento histórico en el que todas las piezas parecen encajar. Y todos estos éxitos giran en torno a la figura del presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuyos niveles de popularidad superan el 76%. Hasta Barack Obama lo certificó en la pasada cumbre del G-20 celebrada en Londres, cuando le espetó a Lula frente a otros líderes: "Éste es el hombre del momento".
Brasil va a por todas, escrito por Franco Barón, do El País

04 Outubro, 2009

suzuka

A sessão de classificação para o GP de Suzuka definiu que Vettel, Trulli e Hamilton largariam, respectivamente, nas três primeiras colocações, e não foi coincidência que eles cruzaram a linha de chegada nessa mesma ordem. Pouca coisa interessante aconteceu no GP do Japão.

Os treinos foram uma bagunça, já que Barrichello, Button, Kovalainen, Buemi, Alonso, Luizzi e Webber foram punidos por motivos variados. Timo Glock (sério: que merda de nome é "Timo"?) bateu, se machucou e não correu.

Enfim, a corrida foi uma merda e Button é o virtual campeão da temporada, por mais que não mereça. O carro da Brawn é inconstante e o inglês há tempos não mostra estar muito à vontade no cockpit. Barrichello e Vettel fizeram muito mais nessa metade da temporada.

Vettel, inclusive, que teve uma vitória notável. Mesmo a Red Bull fazendo merda em seus dois pit stops, em nenhum momento o alemãozinho foi ameaçado por ninguém. E do jeito que a coisa está, ele tem reais chances de tirar o vice-campeonato das mãos de Barrichello.

E Kovalainen deve ser o pior piloto da atual geração. Por que? Só uma dica: enquanto Hamilton briga pela ponta com seu McLaren, o finlandês se arrastou pra chegar na 11ª colocação, à frente de Fisichella, outro bundão.

30 Setembro, 2009

pra entender política

Coisa de dois posts atrás um desconhecido me fez o favor de chamar de extrema direita e fugiu a tempo de não me ver rir da cara dele. Enfim, provocado, resolvi fazer este rápido guia a respeito de minhas percepções da política tupiniquim:

PSDB - Formado no final dos anos 80 pela fina nata da intelectualidade brasileira, seus inúmeros sociólogos, economistas, médicos e juristas já escreveram teses e teses sobre todos os males que afetam o Brasil e os brasileiros. Mas entender os problemas não significa que eles tenham quaisquer interesses em acabar com eles. Muito pelo contrário.

DEM - Se o Dick Vigarista tinha o Mutley, o PSDB tem o DEM. Eles basicamente fazem o trabalho sujo e abastecem teorias da conspiração dentro dos centros acadêmicos.

PP - Pense no universo. Nas estrelas, nos planetas, no sol. Na Terra. Nas árvores, nos rios, nos animaizinhos. Olhe bem. Foi o Maluf que fez.

PMDB - Sabe aquela banda superlegal dos anos 70? Que começou tocando nos festivais e levando o público ao delírio, e que hoje ganha a vida com coletâneas e apresentações em programas de auditório de quinta categoria? Os mais novos não ligam pra ela, mas os fãs da velha guarda olham pros discos mais novos e, horrorizados, se perguntam o que diabos aconteceu. Então, esse é o PMDB.

PRTB - Um partido com várias idéias, desde que todas elas envolvam o aerotrem.

PV - Um dia, um bando de maconheiros resolve fazer um luau. Vendedores ambulantes chegam e começam a fazer algum dinheiro com o pessoal da festa. Maconheiros vão embora, vendedores compram a área e constroem um shopping.

PDT - Sujeito resolve ganhar a vida como sósia de um astro da década de 40. Ninguém mais lembra do astro, ninguém liga pro sósia.

PT - Garoto feio e pobre chega em escola e conquista a simpatia dos professores e das meninas. Imediatamente passa a ser odiado por uma metade dos filhinhos de papai e amado pela outra. Os dois grupos vivem a brigar e a se xingar, mas na hora do recreio, todo mundo come a mesma merenda.

PCdoB - Formado basicamente por pessoas educadas e bem instruídas que querem mudar a vida das pessoas para melhor, mas não têm a mínima idéia de como fazer isso.

PSTU - Formado basicamente por pessoas educadas e bem instruídas que querem mudar a vida das pessoas para melhor, mas não têm a mínima idéia de onde deixaram seus calmantes.

PSOL - Garotinho assiste a filme do Superman e tenta voar pulando do segundo andar com uma toalha no pescoço, fazendo vezes de capa. Se surpreende ao constatar que quebrou a perna.

29 Setembro, 2009

dois veados

É de conhecimento público que eu e o Panda nos odiamos profundamente. Em anos cultivamos uma sólida amizade baseada ofensas sutis, manias chatas e uma perturbadora predileção por carrinhos em miniaturas e filmes de guerra. No começo da tarde dessa terça-feira tivemos uma conversa realmente esquisita, digna de apreciação pública.

Thiago | says:
Olha isso - link para um home theather bluetooth que eu achei uma porcaria.
joão says:
Vamos supor que Panda compre um Home Theather bluetooth.
Thiago | says:
sim
joão says:
Então um dia Panda chega em casa e tem uma caixa enorme esperando por ele.
Thiago | says:
Certo.. até ai eu entendi
joão says:
Então Panda instala os cabos na televisão.
Thiago | says:
Sim
joão says:
Então Panda pega suas caixas de som-Panda e as coloca na melhor posição na sala, certo?
Thiago | says:
Yes
joão says:
Não será um grande desafio, pq as caixas de som panda do Panda tem bluetooth, certo?
Thiago | says:
Sim.. seria se tivessem fios.
joão says:
Ótimo.
Thiago | says:
Mas bluetooth NÃO
joão says:
Excelente, um avanço de tecnologia, coisa da Nasa, praticamente. Então Panda liga o seu novo Home Theather Panda Bluetooth pra ver um filme. Mas... que mágica faz essas caixas de som funcionarem?
Thiago | says:
Pilhas, provavelmente recarregáveis
joão says:
Ah. Então vc tá vendo um filme e as pilhas da caixa de som podem acabar depois de uma ou duas horas de filme, certo?
Thiago | says:
Não... Tecnologia de ponta... baixo consumo.
joão says:
Imagine que um dia vc queira ver todos os De Volta Para o Futuro numa pancada só. Seis horas de filme, mas as baterias de seu home theather hora ou outra vão precisar ser trocadas.
Thiago | says:
Vc está tentando se convencer a não comprar essa maravilha da tecnologia?
joão says:
Sim, estou. Então vc gasta 40 na caixa de DVD e mais 30 em 10 pilhas. Acho que tá mais que óbvio que caixas de som movidas à pilha são a pior idéia que alguém já teve.
Thiago | says:
Na minha casa... não tenho limites laterais para passar os fios.. De um lado é a porta da sacada e do outro fica a mesa de jantar eles teriam que passar por debaixo do tapete... blergh
joão says:
Excelente, sabe pq? Ninguém vai ver os fios debaixo do tapete, e as caixas vão funcionar por anos, anos e mais anos sem precisar de pilhas.
Thiago | says:
joao..
joão says:
Pq eu sei que um dia vc vai querer ver um filme e vai precisar sair de casa pra comprar pilhas. E sabe com quem vc vai chorar as pitangas? Comigo, via MSN.
Thiago | says:
Tem um home bluetooth lá por 859 reais, compra esse... é mais barato um pouco neh
joão says:
859 reais mais os 12 mil que vou gastar em pilhas.
Thiago | says:
Vc não vai assistir tanto filme assim quando casar
joão says:
Bom, quem avisa amigo é. Se vc tá insistindo que quer comprar essa coisa, problema é seu. Mas depois não venha reclamar comigo.
Thiago | says:
hum... ok... me manda 2 e uma coca...
joão says:
Movida à pilha?

27 Setembro, 2009

insuportável

É de conhecimento público que eu detesto uma porção de coisas. Djavan, Legião Urbana, Cazuza, Glória Perez, Regina Duarte, William Waak, Diogo Mainardi, Hugo Chávez, Evo Morales, Coca Light, a Sky, telemarketing, virais, tatuagens, piercings, spams de contos apócrifos de Luis Fernando Veríssimo, Dodges nacionais, todos os GM depois de 1998, fãs de futebol, crentes que tentam me catequizar, ateus que brigam com todos por não respeitarem a opinião alheia, pessoas que participam de passeatas por qualquer coisa, gente que quer organizar levantes populares via internet etc.

E eu também odeio o GP de Cingapura.

Antes de tudo há a questão da prova ser noturna. Um monte de gente sem personalidade concorda com a propaganda e diz que o visual é "fantástico". Bah. Fantástico é as tartarugas marinhas lembrarem o local da praia em que nasceram e voltarem lá para botar mais ovos, anos depois.

Em Cingapura a iluminação da pista parece uma mistura de Las Vegas com um consultório dentário (uma luz constante, branca em volta de toda a cidade), o asfalto é todo pintado - como o circuito é de rua, várias marcações do asfalto são pintadas de preto para o GP, e o resultado final não é dos melhores - e há uns muros realmente feios em volta de toda a pista.

Sério, quem acha aquilo bonito merece uma surra, das grandes.

Se um traçado como Monza ou Spa Francorchamps fosse feito em Uganda, por exemplo, haveria um consenso que seria um GP fantástico, coisa e tal. Mas não. A pista é uma porcaria que faz os carros andarem em fila indiana por duas longas horas, e qualquer movimentação só acontece graças aos boxes.

Ou seja, só vi um pedaço da corrida e voltei a dormir. E quer saber? Saí ganhando.

Eu odeio o GP de Cingapura.

13 Setembro, 2009

monza

-Rubens Barrichello venceu o GP de Monza. Imagina o que ele não faria à bordo de um Opalão. Wacca wacca.

-Ao cruzar a linha de chegada do GP de Monza na primeira colocação, Rubens Barrichello ouviu de seu engenheiro que eles "estavam ficando acostumados". Pois é.

-A coisa aconteceu assim: Barrichello e Button largaram com gasolina para apenas uma parada, enquanto seus principais concorrentes - Hamilton, Sutil e Raikkonen, para falar de quem estava nas redondezas - iam para dois pit stops. Então eles foram ficando na pista enquanto o resto do pessoal ia parando. Lá pela metade da corrida já estava óbvio que a estratégia ia funcionar.

-Figura fácil das últimas colocações, as Force India mais uma vez andaram na frente. Dizem que isso aconteceu nas duas últimas corridas porque os carros da equipe andam melhor em pistas de pouca pressão aerodinâmica, mas sei não. Bom lembrar que eles tem um acordo de cooperação técnica com a McLaren, então se os carros ingleses começaram a render de um tempo pra cá, natural que a equipe "B" também apresente melhores resultados.

-Apesar da vitória de Barrichello, bom manter os pés no chão. Desejar que o brasileiro seja campeão não justifica um ufanismo cego pode vir brotar por aí nas próximas semanas e que não será benéfico a ninguém. Dado como aposentado no final do ano passado, Rubens deu uma volta por cima que não se vê todos os dias e certamente tem chances de levar o caneco para casa. Mas que fique claro que será um bruta desafio.

10 Setembro, 2009

piquet, rapidinho

Como já deve ser de acontecimento geral, Nelson Ângelo Piquet afirmou à Federação Internacional de Automobilismo que deliberadamente jogou seu carro contra um muro no GP de Cingapura do ano passado por ordem de Flavio Briatore, numa bizarra estratégia para ajudar Fernando Alonso a vencer a corrida. Bom, funcionou.

Merda devidamente jogada no ventilador, nota-se que:

-Nelsinho justifica sua ação por se sentir "inseguro" na equipe. De fato, tinha motivos pra isso, mas é bom não esquecer que Flavio Briatore é aquele tipo de idiota que está errado mesmo quando está certo. Ser rejeitado por ele não é o fim do mundo.

-Briatore provavelmente será banido da F1, para a alegria de Max Mosley, que, vivendo seus últimos momentos no comando da FIA está conseguindo levar seus desafetos para o buraco.

-Muitos afirmam que a carreira do baby-Piquet está acabada na F1, mas eu duvido. Se ele voltar e fizer alguma coisa que preste, será perdoado. Não tem rancor que resista a bons resultados.

-Em todo caso, vale a pena repetir: nem polícia gosta de cagüeta.

05 Setembro, 2009

spa

Por muitos anos, a F1 foi essencialmente chata, dominada pela soberania de um piloto ou equipe. Isso fez com que alguns malas eternizassem a frase “antigamente era melhor”, inevitavelmente citando em seguida a feroz batalha de Villeneuve e Arnoux no GP de Djion de 1979. E só.

A coisa é que desde a saíde de Schumacher (de, de fato, era um ponto fora da curva dentro de qq tentativa de alteração do regulamento da categoria), muita coisa melhorou. Muita mesmo. Ainda que essa temporada não esteja tão eletrizante quanto à do ano passado, ainda mostra ter um bocado de cartas escondidas na manga.

A pole e o segundo lugar de Giancarlo Fisichella é uma dessas cartas. Em fim de carreira e mirando um acento na Ferrari, o romano mostrou que mesmo a humilde Force India pode ter um carro entre os ponteiros, dependendo da condição da pista. Assim como antigamente, surpresas acontecem.

De resto, aquela coisa: Barrichello novamente teve problemas na largada, mas sua câmera onboard mostrou que ele se divertiu um bocado; Button bateu, mas deu a sorte de seus rivais diretos não terem o melhor dos finais de semana; Spa Francochamps é a pista mais bonita da F1.

Ah, a Renault está sob investigação por suspeitas de ter mandado Nelsinho Piquet bater para beneficiar Alonso no GP de Cingapura do ano passado. Apesar de absurda, vejo a situação com cautela: Flavio Briatore é aquele tipo de idiota que está errado mesmo quando está certo. Independente do que aconteceu, ele deverá se retirar da F1 em breve.

23 Agosto, 2009

olé

-Como você já deve saber, Rubens Barrichello ganhou o GP da Europa, disputado em Valência, na Espanha. Incrível, tremendamente ducaralho. E, sei lá porque, emociona mais do que as vitórias de Massa.

-Por dez ou doze voltas (sei lá) depois do primeiro pit stop, a diferença entre Hamilton e Barrichello ficou em torno de 4 segundos, o que não seria nada demais se os dois não estivessem acelerando como alucinados e baixando cada vez mais a marca da volta mais rápida.

-A guerra de nervos acabou na volta 34, quando Hamilton teve que entrar nos boxes e a equipe se atrapalhou na troca de pneus, jogando a liderança no colo de Barrichelo. Então aconteceu a mágica.

-Seu engenheiro falou pelo rádio que Barrichello deveria fazer "cinco voltas voadoras" pra garantir a ponta, e foi o que aconteceu: o brasileiro acelerou como se não houvesse amanhã.

-Depois de sua parada nos boxes Barrichello tinha cerca de 7 segundos de vantagem pra Hamilton, então não é impossível imaginar que ele venceria a prova independente do que acontecesse com o inglês. Ainda falta ver os dados do live timming pra confirmar isso.

-Enfim, o Barrichello de hoje foi aquele mesmo piloto impecável que venceu na Alemanha em 2000 e na Inglaterra em 2003 sem dar chance pra ninguém. Seria bom se ele aparecesse mais vezes.

-De resto: Kovalainen não merece o McLaren que pilota, Romain "Sideshow Bob" Grosjean fez menos que o Nelson Piquet faria e Luca Badoer é o pior cara que já guiou uma Ferrari de F1. Já Kimi Raikkonen, Nico Rosberg e Robert Kubica foram muito bem e acabaram respectivamente em terceiro, quinto e oitavo.

11 Agosto, 2009

pequenos finais

Ontem, por um desses acasos que acontecem por aí, entrei numa daquelas lojas que vendem revistas, mas que não são exatamente bancas de jornal – basicamente porque são feitas de alvenaria, não de chapas de metal. Em uma parede, havia as prateleiras com revistas e jornais, e em outra, um balcão que vendia material de papelaria. Nada de luxuoso, mas tremendamente digno. Sentado num banquinho ao lado da entrada, estava seu dono, um senhor de 75 anos que não vivia seus dias mais felizes.

Na realidade, lamentava. Seu humilde negócio, localizado num bairro sem-vergonha da cidade, dava seus últimos suspiros. “Porcaria, tudo porcaria. De todas essas revistas, só 10% delas vendem. O resto fica aí. Vou esperar mais um ou dois meses...”, dizia desconsolado, olhando para o que parecia ser o derradeiro momento de seu pequeno império, que já vivera dias mais felizes. Aberta há 25 anos, a lojinha fica localizada em uma rua que antigamente era o único caminho para os milhares de moradores das redondezas irem ao centro da cidade, mas a urbanização da área é apontada apenas como um dos fatores para a diminuição do movimento: “hoje em dia a internet dá tudo, o rádio da tudo... o que sobra para os jornais e as revistas?”, perguntava.

A discussão a respeito da sobrevivência dos impressos à era da internet é longa e desinteressante, mas no mundo real – tantas vezes desprezado pelos estudiosos de qualquer natureza – a coisa seja um tanto diferente. Antigamente não se encontravam revistas, jornais e outros produtos diversos em supermercados ou padarias, e pelo menos por aqui os shopping centers (que em inglês são conhecidos como mall) eram um luxo dos grandes centros urbanos. A concorrência de redes de atuação nacional – seja na venda de revistas, roupas, livros, alimentos e etcetera – faz com que sobre pouco, muito pouco, para os pequenos comércios familiares, localizados nas ruas movimentadas da cidade e tocados por gente mais interessada em ajeitar sua vida do que em discutir das tendências do consumo para as próximas décadas. E seja lá o segmento de mercado, os primeiros que sentem o baque são eles.

A conversa continuou por alguns minutos. Descobri que o senhor é o membro de maior idade de uma tradicional família da cidade: "por isso tenho que tomar cuidado com a saúde, porque o próximo pode ser eu", disse, enquanto olhava para o cenário decorado pelos sorrisos das celebridades estampados nas capas dos periódicos - sem dúvida, os mais felizes do recinto.

Acabei comprando duas revistas, o melhor que podia fazer dadas as circuntâncias. “A primeira venda do dia”, por volta das 15h30, um cenário pouco animador. Dei meus sinceros votos ao senhor que de que o melhor acontecesse, e simplesmente fui embora.

27 Julho, 2009

hungria de todos os santos

Entre 2003 e 2004 existiu uma série chamada Dead Like Me, em que os personagens principais eram... a morte. Sim, eram vários, todos trabalhavam como ceifadores e por mais incrível que possa parecer, era uma comédia das mais inteligentes e interessantes.

No primeiro episódio a personagem principal, chamada Georgia Lass, morre ao ser atingida pela tampa do vaso sanitário da estação espacial Mir. Mas então ela ressuscita e é recrutada para fazer parte da sucursal local da morte (uma instituição milenar, de bases sólidas), que contava com mais quatro membros. Na realidade, eles não matavam ninguém, mas libertavam a alma da pessoa de seu corpo – caso contrário, os danos que elas sofressem em vida seriam levados para o mundo espiritual. A outra parte do trabalho era feita por uns macaquinhos que maquinavam situações que poderiam ser interpretadas como acidentes, mas eram precisamente estudadas (como o caso de um rapaz que é cortado ao meio por uma motosserra).

Enfim, me lembrei de tudo isso ao ver o acidente de Felipe Massa. Afinal, por quanto tempo aquela mola estúpida voou? Em nenhum momento das imagens de dentro de seu carro é possível ver o carro “doador”, de Rubens Barrichello, o que faz supor que a peça ficou pulando alegremente por aí por um bom tempo, até acertar o cocoruto do primeiro incauto que passou por seu caminho. Praticamente coisa do capeta.

No meio do diz-que-me-diz a respeito de sua saúde, dá pra concluir que ele não corre risco de morte, mas seu olho ainda preocupa os médicos. “Ele vai sair dessa, voltar pra pista e recuperar aquele título que roubaram dele no ano passado”. A frase é do Nelson Piquet pai, dada à rede Globo.

Na 12ª volta da corrida, Fernando Alonso entrou nos boxes e alguma coisa de errado aconteceu. Logo depois de voltar à pista, a roda dianteira direita de seu Renault se desprendeu e saiu pulando pela pista, em um momento que deu um clima “Ímola 1994” (a.k.a. Uruca generalizada) ao final de semana. Pelo menos, parou nisso.

Quanto ao resto da corrida, foi um GP da Hungria típico: um saco. Como novidade, Hamilton ganhou, o que deu um certo ar de normalidade à uma temporada marcada por vitórias de gente que até pouco tempo atrás não era muito acostumada com os pódios. Raikkonen foi o segundo. As coisas simplesmente deram certo pras grandes.

Ninguém comentou, mas lá vai: Hamilton está ficando careca.

E a casa tá caindo pro Jenson Button, que só marcou 9 pontos nas últimas três corridas. Já Webber, terceiro na corrida de ontem, levou 24 pontinhos pra casa. Quem diria, esse campeonato não está sendo uma perda total de tempo.

Digno de nota é como a namorada de Hamilton, Nicole Scherzinger, pula. Toda vez que as câmeras mostravam os boxes da McLaren, a cantora aparecia olhando para os monitores da corrida dando pequenos pulinhos e batendo palmas. Uma gracinha.